"Castigo"
Nunca sei a hora certa de apagar a luz
de cair na cama e no sono, de rever
mais uma vez o relógio, o fantasma do gás
preso na pressão do encanamento
e as voltas das chaves nas fechaduras.
De calar a dúvida acerca de tantas
coisas que têm que estar dominadas
no conjunto escuro, absurdo, de palavras
em acúmulo no desvão do escritório confuso:
cavalos azuis de tão velozes, e outros
chistes e chicotes, que ainda não controlo
de cabo a rabo, para que eu possa
então, fechar os olhos em paz
“com cada coisa em seu lugar”, nesta
pobre “habilitação para noite”, nº 2.
(Armando Freitas Filho. In: Lar,)
(Source: whatthedevilwantstoknow)






